Os princípios de moralidade são a base de um sistema de vida apropriado. Mas eles não são o objectivo final. São um instrumento para a criação de uma estrutura mental, para executar práticas de concentração superiores e de meditação. Assim, como uma planta jovem deve ser protegida à medida que cresce, também o novo praticante espiritual, nos seus esforços, deve ser protegido por orientações morais. Em épocas distantes, os gurus exigiam aos discípulos, como primeira prova, a moralidade e o altruísmo, antes de aprofundarem o ensinamento das práticas espirituais.

“Sem Yama e Niyama, sádhana (meditação) é uma impossibilidade”

~~ Shrii Shrii Anandamurti

Há uma história de um discípulo que conseguiu convencer o seu guru a ensiná-lo quando estava prestes a afogar-se ao tentar bloquear um buraco com o seu próprio corpo numa pequena barragem, evitando assim a destruição desta e consequente inundação da aldeia mais próxima. De facto, os princípios de Yama e Niyama ilustram perfeitamente como devemos lidar com o mundo exterior à nossa volta.

Para tratar todas as coisas e pessoas de uma forma adequada é requerido um certo controlo sobre as propensões da mente, sendo este objectivo alcançado por Yama – conduta apropriada com os outros – e Nyama – directrizes para os nossos hábitos. Por outras palavras, Yama é o nosso auto controlo em relação ao ambiente externo e Niyama refere-se ao nosso ambiente interno. Yama é a moralidade social; Niyama é a individual.

Yama está dividido em cinco partes:

1. Ahimsa: Não magoar em pensamento, palavra ou acção. Isto significa um esforço para minimizar a nossa capacidade de ferir o ambiente exterior, em qualquer circunstância. Contudo, isto não exclui a possibilidade de usarmos a força física para nossa própria segurança e dos outros, se necessário. Esta é a primeira área importante em que o Rajadhiraja Yoga difere do entendimento mais tradicional do Raja Yoga. Quando Mahatma Gandhi foi inquirido se existia alguma circunstância em que ele poderia matar uma cobra, ele respondeu que não. Uma interpretação prática de Ahimsa deverá sugerir que em determinadas circunstâncias poderá ser necessário usar a força, de forma a proteger os outros ou nós próprios. A intenção do sujeito é o importante. Enquanto caminhamos na rua podemos esmagar um insecto, mas não era a nossa intenção causar-lhe ferimento.

2. Satya: Verdade Benevolente. Isto é o uso da mente e palavras para o bem estar geral. O enfâse deve ser dado à verdade que ajuda. Buda disse que a primeira prioridade das palavras deveria ser a sua utilidade aos outros. A segunda prioridade é que elas deveriam ser verdadeiras. E a terceira prioridade é que deveriam ser doces. Então, o espírito deste princípio é promover a maximização do bem estar, através dos nossos pensamentos e palavras.

3. Asteya: Não roubar. Não retirar aos outros os seus pertences sem o seu consentimento. Também significa não privar outros daquilo que devemos. Por exemplo, pagar menos a um empregado(a) em relação ao que nós julgamos ser o seu merecimento ou entrar num comboio sem pagar bilhete, são acções contra o espírito de asteya.

4. Brahmacarya: Pensamento Universal. Considerar tudo como uma expressão da Consciência Cósmica. Isto desenvolve a nossa capacidade de amor pelos outros, independentemente da raça, nacionalidade ou grupo étnico, pela promoção do sentimento de que todos nós somos parte da mesma família cósmica. Os benefícios para a sociedade podem ser rapidamente apreciados.

5. Aparigraha: Modo de vida simples. Não acumular mais do que precisamos para um nível de vida razoável. Isto tem consequências pessoais e sociais. Nós nunca poderemos estar satisfeitos com o que temos enquanto acumulamos coisas desnecessariamente, porque a mente estará sempre distraída pelas posses e processos de acumulação de bens materiais. Do ponto de vista social, a riqueza física deste mundo é limitada, por isso a acumulação excessiva de riqueza física de alguém irá impedir que outros possam satisfazer as suas próprias necessidades básicas.

Niyama também tem cinco partes:

1. Shaoca: Pureza da mente e limpeza do corpo. Deve-se manter o corpo limpo não apenas externamente. A limpeza interna também depende do que comemos.

2. Santosa: Contentamento e relaxamento mental. Apenas quando a mente está num estado de relaxamento é possível estarmos satisfeitos com a vida e infundir nos outros o nosso entusiasmo. Isto depende em larga medida do princípio de Aparigraha.

3. Tapah: Serviço Social. Trabalhar para o bem estar dos outros. Isto significa ajudar os necessitados sem esperar alguma recompensa por essa acção. Existe um fluxo de amor dentro de nós, que apenas pode ser expresso quando damos algo desinteressadamente aos outros. Notar que isto significa que os ajudados devem estar em estado de necessidade. Dar dinheiro a uma pessoa rica não é um serviço!

4. Svadhyaya: Leitura inspiracional. Ler livros inspiradores, entendendo o seu significado. Isto é melhor conseguido após a meditação, quando a mente está mais receptiva a ideias profundas e a pensamentos mais elevados. Na nossa sociedade moderna, “livros” pode significar também outros meios de educação, como a Internet, CDs, gravações audio, etc. Mas o ponto importante é o seu poder de elevar a mente humana, qualquer que seja a fonte material, através das mensagens aí armazenadas.

5. Iishvara Pranidhana: Meditar na Consciência Cósmica. Isto leva-nos à percepção de que somos Um com a Consciência Infinita, e é esta tomada de consciência que nos dá a maior realização durante a nossa vida, enquanto seres humanos. No Rajadhiraja Yoga, existem processos específicos de meditação para levar o praticante a esta realização.